Há um ditado que diz que casamento é igual a submarino: ambos foram feitos para afundar. A 'Alice' aqui prefere crer que isso não seja verdade. Evidente que em algum momento da vida conjugal, a maioria dos casais já se viu obrigado a parar naquele ponto crucial e questionar o seu casamento.
Dúvidas, angústias, mágoas, definições sobre a tão sonhada felicidade. É normal fazê-lo. O legal quando se questiona é que também é importante (e justo) questionar o nosso comportamento em relação ao outro, em relação aos filhos. Estes hábitos costumam salvar muitas uniões. Sim, porque se nós só pensarmos na "nossa" condição, dificilmente o relacionamento vinga. Pessoas não se casam para se separar. É uma forma de manter a coerência na vida e nas atitudes diante das crises que seguramente aparecem.
Estamos passando por um momento triste e preocupante, porque é grande o número de famílias destruídas, desunidas, desmoralizadas. A família está desmoralizada. Mas há forças lutando pelo resgate das famílias. Forças na terra e no céu.
E AS CRIANÇAS?
Preservar uma união por causa de filhos nem sempre é a melhor solução, porque se o tempo não curou algumas feridas entre o casal, é mais provável que com o tempo o casamento se transforme numa batalha campal. Os filhos sofrem muito com o fim do casamento, são as maiores vítimas. Já senti o fracasso da separação na pele. Meus pais se separaram numa época em que não era uma prática comum. No final dos anos setenta a separação era mal-vista e os filhos do divórcio sofriam discriminação. Os colegas a olham com desconfiança. A criança se sente responsável pela separação, acha que foi por causa dela que o pai e a mãe não estão mais juntos. Me senti péssima durante toda minha puberdade e parte da juventude. Pensava que poderia carregar o peso da separação dos meus pais nas minha costas sem sequelas.
Então decidi me separar para sempre do meu pai. Eu pensava da seguinte forma: Se ele, que é meu pai, não se preocupou em nenhum momento com os filhos, porque eu me preocuparia? O duro é que minha mãe ainda o amava, e de vez em quando, culpava os filhos pelo fim. Às vezes devia bater um desespero na minha mãe. Imagine ter de educar, vestir, calçar e alimentar seis filhos com salário de professora universitária. (!) Mas ela não desistiu de nós. Muito menos Deus. Hoje entendo que para se ganhar algo, é necessário perder. Nós perdoamos nosso pai, e a família toda se fortaleceu. Apesar da separação.
O TÉDIO BATE À SUA PORTA
Amor não tem nada a ver com romantismo. Quem coloca o romantismo como base de sustentação numa união, possivelmente a frustração e o tédio vão chegar. O ideal romântico é uma fantasia, é algo que gera uma expectativa negativa e nos torna refém de regrinhas que a sociedade impõe. Dia dos namorados, por exemplo. Foi uma data inventada para vender, vender... Quem se beneficia desta data? Para mim, todo dia é dia dos namorados, todo dia é dia de dizer "Amo Você". Eu sou romântica, mas não sabia que era, não associava o nome à pessoa.
O meu romantismo é multifuncional e está intimamente ligado com o meu jeito de ser e de encarar os desafios da vida com alegria. Eu tenho um ideal de amor, sim. Meu ideal é o amor ágape. A amizade espiritual. O querer bem . O respeito e a admiração. É o conteúdo, sem alterações nem retoques do livro de 1 Coríntios 13 4-8: "O amor é paciente, é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira (...) se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." Amo aquilo que admiro. Aquele que tem uma visão criativa diante dos problemas, que pensa coisas que eu não pensei e funciona de uma forma diferente da minha.
Num casamento é fundamental sabermos conviver com as diferenças e com as limitações de cada um. Homens e mulheres pensam e reagem de forma diferente, e respeitar estas reações seria um mandamento para que o casamento sempre navegasse em águas tranquilas.
O meio em que se vive também ajuda a manter ou afundar um casamento. É melhor evitar aquele casal de amigos que vive brigando por qualquer coisa ou aquele amigo que acabou de se separar e insiste para que você saia de vez em quando com ele para... espairecer. Não se iluda, você está em outra, você casou. Apoio é uma coisa, viver e curtir com amigos o novo estado civil não dá. Longe de mim e de vocês toda e qualquer tentação. Separação deve ser encarada como um verdadeiro luto. É o sepultamento de um amor. Separação é perda, e todos saem perdendo.
Veja links para esta postagem:
http://youtu.be/py-UJjBE2O8
http://youtu.be/ZQKZ8WGcR4E

